23 de Junho 2006 - Museu do Caramulo, Portugal
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Automóveis das Figuras Históricas
Coleccionar Miniaturas de Grandes Estadistas
[11.01.2008]
Coleccionar miniaturas automóveis de grandes estadistas, é sem dúvida uma forma didáctica de reviver determinadas épocas e factos históricos.

Esta é uma abordagem pouco habitual, que nos leva através da personificação dos modelos, chegar à componente humana a que estão intimamente ligados.

França: Os Franceses com o seu particular patriotismo, sempre tiveram tendência para ser leais com as suas próprias marcas e como tal adaptaram modelos, especialmente da Citroën e da Renault, para fins presidenciais.
É de salientar o Citroën carroçado por Chapron (matrícula: 1: PR 75) oferecido em Novembro de 1968 ao Presidente Charles de Gaulle e que continuou em serviço com o Presidente Pompidou. Em 1972, Chapron carroçou outro modelo desta vez com base no Citroën SM, equipado com motor Maserati.

Em 1970, a Dinky-Toys Francesa apresenta com o nº 1435, um Citroën Presidencial, que foi fabricado somente durante um ano, que é sem dúvida uma das miniaturas "rainhas" da escala 1/43.


A Norev e a Vitesse Portuguesa lançaram respectivamente, também na mesma escala: um Citroën SM Presidencial e um Renault Safrane do Presidente Miterrand.

Grã-Bretanha: Parece que a forma mais lógica de abordar esta temática de automóveis majestosos é pelo seu país de origem. E nada melhor que começar pela Inglaterra, com o seu imponente Rolls-Royce Phantom V, que foi presenteado à rainha Isabel II em Maio de 1961. Este modelo possuía um terço do tejadilho transparente de forma a que os súbditos pudessem admirar a rainha em todo o seu esplendor. Em 1978 a Sociedade de Construtores Britânicos de Automóveis, ofereceu-lhe um Rolls-Royce Phantom VI quase idêntico ao anterior e que continua a ser utilizado em diversas saídas oficiais. De salientar o interesse que esta marca continua a despertar em estadistas de quase todo o mundo.

As miniaturas que representam este modelo com grande dignidade, são: O Rolls Royce Nº 260 à escala 1/42 da Spot On, miniatura que foi introduzida em 1963 e descontinuada em 1967. Não possuía matrículas (privilégio exclusivo das altas entidades) e tinha no tejadilho uma bandeira com as insígnias reais. O chauffeur, assim como as figuras do Casal Real estavam nela representadas. Esta miniatura estava muito bem concebida (os faróis ligavam-se através de uma pilha). Nos dias de hoje, além de dispendiosa é extremamente difícil de encontrar.

A célebre Dinky-Toys lançou em 1965, com o nº 152 o Rolls-Royce Phantom V à escala 1/43. Modelo muito bonito que esteve em fabricação durante uma dezena de anos, havendo versões em diferentes cores, com e sem figuras no seu interior.

USA: Dos dois grandes gigantes da indústria automóvel Americana: GM e Ford, foram escolhidas as suas marcas mais emblemáticas, respectivamente a Cadillac e a Lincoln para representarem os presidentes dos Estados Unidos.

Na década de cinquenta a opção do presidente D. Eisenhower foi para um Cadillac Eldorado de cor branca e aberto de 1953. Em Portugal no mesmo período, a escolha do Presidente do Conselho Dr. A. Oliveira Salazar, ia também para um Cadillac de finais dos anos 40, viatura quase sempre utilizada discretamente (sem batedores) nas suas poucas deslocações.


O Lincoln Continental reaparece em 1961 mais sofisticado e bonito, na tentativa de "destronar" o Cadillac no sector de carros de luxo. E é escolhido com o nome de código X-100 (para os serviços secretos), para ser a viatura oficial (provavelmente mais conhecida na História), do Presidente J. F. Kennedy. Em cujo automóvel veio a ser assassinado, na cidade de Dallas em Novembro de 1963.

Após a morte do Presidente Kennedy, o Lincoln sofre grandes alterações, sendo instalada uma capota em vidro (curvo) à prova de Bala, com um peso superior a 600 quilos. Um segundo ar condicionado é instalado na mala. Um sistema de microfone e altifalantes faz com que o Presidente possa falar à multidão e em simultâneo ouvir o que se passa no exterior. Os pneus levam anéis em alumínio para ficarem à prova de furos e o depósito de gasolina é preparado para não explodir em caso de disparos.

O Lincoln volta à Casa Branca em Maio de 1964, mas o Presidente Johnson recusa-se a viajar nele (o carro do morto) caso não fosse pintado de outra côr. O que veio a acontecer! Passou de azul (midnight) para preto e ainda veio a ser utilizado pelos Presidentes: Johnson, Nixon, Ford e Carter. Presentemente, encontra-se no Museu da Ford.

As miniaturas que representam estes modelos, são: O Cadillac Eldorado da Vitesse (made in Portugal), e, à época, o Lincoln Continental (1965-1969) nº 262 da Corgi -Toys à escala 1/43. Esta é uma miniatura magnífica! Com um tecto a imitar vinyl, os interiores forrados e um televisor iluminado através de uma pilha. Foi fabricado na cor bronze com tecto preto e para exportação em azul com tecto branco (muito raro). A sua caixa trazia como fundo a Casa Branca em Washington.

Em 2001 surgiu no mercado pela Minichamps, duas versões espectaculares (adjectivo na moda) do Lincoln X-100 à escala 1/43. Uma versão open parade do President Kennedy e outra com hard top permanente do Presidente Johnson. Ambas foram fabricadas em série limitada e já são difíceis de encontrar.

Alemanha: A reputação da estrela da Mercedes-Benz é incontornável como símbolo da indústria automóvel Alemã. No passado e presente, muitas cabeças coroadas e grandes estadistas se deixaram "guiar" por esta estrela. Mas um ícone (pela negativa) ficou a ela associado: Adolf Hitler.

Adolf Hitler não dispensava o seu "Grosser" (Grande) Mercedes 770, nas suas deslocações e paradas. Este modelo, a versão aberta, era blindado com chapa de aço de 125mm e vidros de 70mm. O modelo de 1942, nos seus seis metros e mais de quatro mil e quinhentos quilos, possuía um motor de 400cv, capaz de atingir os 200 Km/hora. A sua média de consumo, perto dos 70 litros/ 100Km, exigia um depósito de 255 litros.

Hitler tinha no seu Mercedes um "arsenal" de pistolas, espalhadas no interior dos apoios de braços, forros das portas e assentos (oito lugares). Em parada deslocava-se em pé ao lado do motorista e para disfarçar a sua baixa estatura, mandou elevar ligeiramente o pavimento nessa zona.

Vários foram os Chefes de Estado de países amigos e aliados (alguns passaram a inimigos), tais como: Estaline, Mussolini, Reis da Noruega, Reis do Egipto, Francisco Franco de Espanha e o Dr. Oliveira Salazar que foram "presenteados" com o modelo 770 blindado. Esta versão atravessou os anos 30 com o seu motor de sete litros com compressor, que devido ao seu peso não ultrapassava os 80 Km/hora.


O Mercedes do Dr. Oliveira Salazar encontra-se actualmente no Museu do Caramulo (uma visita a não perder) e está bem acompanhado de outros exemplares com história: Cadillac presidencial, Chrysler Imperial de 1937, blindado, que foi protagonista numa arrojada fuga de presos políticos, Rolls Royce em que viajou a Rainha de Inglaterra, Isabel II, de quando da sua visita a Portugal em 1957, entre outros…

O Mercedes (W07) blindado do Dr. Salazar, apelidado e S. Bento de o "Trono" ou "Andor", foi muito pouco utilizado em comparação ao do seu homólogo Franco, de Espanha, que o utilizava com frequência, inclusive nas deslocações à Galiza. Os seus mais de 140.000 Km. assim o atestam.

Na década de cinquenta surge o Mercedes-Benz 300 (Adenauer). Este modelo ficou intimamente ligado ao presidente alemão, Conrad Adenauer, pois este era o seu modelo preferido porque inclusive tinha uma janelinha óptima para fumadores.

Na década de sessenta a Mercedes lança o modelo 600. Um autêntico "Transatlântico" com rodas, a que dezenas de Chefes de Estado e Reis, não ficaram indiferentes. Incluindo a nossa Presidência da Republica.


A miniatura do Mercedes 770 de Adolf Hitler e também a versão fechada, foram reproduzidas pela italiana RIO, à escala 1/43, mas há uma miniatura de excepção! Um Mercedes-Benz do Hitler, à escala 1/20, feita por um dos mais prestigiados modelistas Portugueses: Professor Alberto de Oliveira. Criado a partir de desenhos da fábrica da Mercedes, este modelo teve a honra de permanecer durante largo tempo, na montra da mais prestigiada loja de miniaturas de Londres, a St. Martins.

A miniatura do Mercedes Adenauer, não existia até pouco tempo atrás na versão "parade" (aberta), uma lacuna "grave" que veio felizmente a se preenchida pela RIO. Em 1964 a Dinky Toys apresentou o 600 na versão longa (LWB), com chauffer e duas figuras no banco traseiro, posteriormente a Vitesse Portuguesa criou vários modelos do 600, incluindo de Chefes de Estado Africanos.


Coleccionar miniaturas automóveis de grandes estadistas, pode não ser uma colecção grande (de algumas dezenas de exemplares), mas é sem dúvida uma Grande Colecção!

Álvaro Silva


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