23 de Junho 2006 - Museu do Caramulo, Portugal
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Das marcas de automóveis ao fabrico português
Carros a Pedais: Uma história breve
[05.04.2007]
Desde o aparecimento do automóvel, que se fez réplicas em escala reduzida de quase todos os modelos. Em madeira ou metal, eram criados vários tipos de brinquedos, uns mais elaborados que outros, sendo os carros a pedais (alguns com motor eléctrico) aqueles que se aproximavam mais em termos de tamanho aos verdadeiros.

Os maiores fabricantes e consumidores deste tipo de brinquedos, foram sem dúvida os Estados Unidos, que devido ao seu preço elevado, só estavam acessíveis a quem tivesse um bom poder de compra.
Na Europa também se fabricaram carros a pedais, que hoje representam dignamente a época em que foram criados.

Em França, decorria o ano de 1923, quando André Citroën que tinha por hábito dizer aos seus concessionários que as crianças eram os clientes do futuro e que as primeiras três palavras que deveriam dizer eram: Mamã, Papá e... Citroën, lançou os primeiros "jouets".

A brincar ou não, Citroën fabricava na década de trinta cerca de um milhão de brinquedos por ano. Cópias em metal e lata dos seus modelos reais, que eram postos à venda nos seus concessionários e nas grandes lojas de brinquedos.

Resumindo, André Citroën punha por ano um milhão de crianças a falar dos seus Citroëns, com tanto orgulho como os seus pais falavam dos deles.



Neste lote está incluído o Citroën 5 HP, conhecido por "citron" pela sua cor de limão, foi produzido a pedais ou com motor eléctrico sendo o brinquedo mais caro e mais desejado de todo eles.

O Museu do Brinquedo em Sintra tem em exposição um desses exemplares, que foi pertença de uma família de ascendência Alemã, que viveu em Portugal.

Em Portugal, o panorama era mais modesto. A empresa do norte, de Pacifico José Soares (PJS), fabricava um carro a pedais muito parecido com os Fords V8, dos quais tem aparecido um à venda nas Automobilias do Museu do Carro Eléctrico na cidade do Porto. Este modelo muito interessante e raro é pertença de um coleccionador do Porto que está a necessitar de ganhar espaço.

Em Inglaterra (e não só), o carro a pedais mais popular foi sem sombra de dúvida o Austin J 40. Decorria o ano de 1949, quando foi criada a fábrica Austin Junior Car. A sua localização, no sul de Wales, deve-se ao facto de numa zona estritamente mineira, quem não pudesse trabalhar nas minas de carvão, era forçosamente obrigado a ir pedir esmola.

Como existiam muitos mineiros com problemas pulmonares, a fábrica empregou-os para tarefas leves, ao abrigo de um programa de reabilitação. A fábrica começou com 55 empregados e em 1965 já tinha para cima de 500.

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O J40 foi baseado no muito popular em Portugal, Austin A40 (Devon em Inglaterra). O carro era construído com as aparas de metal que sobravam da fábrica Austin em Longbridge, Birmingham e como tal a sua construção era muito sólida. Tinha bateria para acender as luzes e poder buzinar, travão de mão, o capot abria para se ver o detalhe do motor, os estofos eram em pele, tinha muitos cromados, os pneus eram Dunlop, enfim um luxo.

Em Inglaterra e Países Baixos, nas Feiras Populares era comum existirem carroceis, só com estes carros, assim como muitos fotógrafos de rua os utilizavam para tirar fotografias ás crianças nos jardins e parques púbicos.
O seu sucesso foi evidente. Quando a fábrica fechou em 1971, tinham sido produzidos: 32098.

Um dos modelos concorrentes ao J40, foi o Ford Zephir da fábrica Inglesa Tri-Ang. Esta fábrica tem como base três irmãos de apelido, Lines. E como se sabe para se fazer um triangle são necessárias três.... linhas. Os preços dos seus brinquedos eram muito concorrenciais e o leque de brinquedos muito vasto: comboios Hornby, carros de plástico Minic, miniaturas em metal Spot On. Os carros a pedais começaram a ser produzidos nos anos 20, mas é na década de 50 que atingem o seu apogeu, sendo acessível a sua aquisição na época, às famílias de classe média.



Existem hoje em dia vários Clubes de carros a pedais, principalmente em Inglaterra e nos Estados Unidos.

Os seus preços variam consoante o fabricante, modelo e estado de conservação. Podem ir de umas dezenas de contos por um modelo por restaurar até umas largas centenas de contos por um modelo raro e em bom estado.

Em Portugal, pode ver alguns deste carros a pedais (e também eléctricos, como é o caso do Bugatti 52, réplica exacta do Bugatti 35, mas com metade do tamanho) no Museu do Caramulo.

Caro leitor, se pensa iniciar uma colecção deste tipo, dou-lhe os meus parabéns. Mas é melhor pensar primeiro em alugar um armazém.

Álvaro Silva


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